Comissário de Voo (CMS)

Quanto custa tirar o CMS — o orçamento real do curso de comissário de voo, do CMA à taxa do exame da ANAC

Quanto custa tirar o CMS — o orçamento real do curso de comissário de voo, do CMA à taxa do exame da ANAC

Você abriu o Google e digitou algo como "quanto custa curso de comissário" ou "curso de comissário preço" — e encontrou de tudo: gente jurando que se formou gastando pouco e gente falando em muitos milhares de reais. As duas coisas podem estar certas ao mesmo tempo, e é exatamente por isso que essa pergunta parece impossível de responder. Tirar o CMS (Comissário de Voo, a sigla oficial da licença emitida pela ANAC) não tem preço de tabela: é a soma de cinco ou seis itens diferentes, cobrados por gente diferente, e só uma parte deles é definida pelo governo.

Neste artigo você não vai encontrar uma tabela de preços pronta — e isso é proposital. Preço de escola muda por região, por turma e por mês; taxa oficial muda por ato da agência. Um número solto, sem fonte e sem data, é a forma mais rápida de você montar um orçamento errado e tomar um susto no meio do caminho. O que você vai encontrar aqui é melhor: o orçamento aberto item por item, quem cobra cada coisa, onde conferir o valor atual na fonte oficial e quais são as armadilhas que estouram a conta de quem não planejou.

Uma boa notícia antes de começar: a maior fatia do custo é a única que você negocia (o curso), e a etapa que mais assusta — a prova teórica da ANAC — é justamente a mais barata e a mais controlável. Ela é vencível com preparação organizada. O que custa caro é fazer a prova duas, três vezes.

Afinal, quanto custa tirar o CMS?

A resposta honesta em uma frase: o curso no CIAC é, com folga, o maior item do orçamento (ordem de grandeza de milhares de reais), e todo o resto — CMA, taxas da ANAC e deslocamento — costuma somar bem menos que o curso.

Essa proporção é o que realmente importa para você planejar. Se alguém te vender um número fechado "o CMS custa X", pergunte três coisas: de quando é esse valor, em que cidade, e o que está incluído. Sem as três respostas, o número não serve para nada.

A tabela abaixo mostra a estrutura completa. Use-a como planilha: cada linha é um valor que você mesmo levanta, na sua cidade, hoje.

Item Quem cobra Onde conferir o valor Variação
Curso de formação de comissário CIAC (escola privada) orçamento por escrito da escola Alta (escola e região)
Consulta e exames do CMA médico ou clínica credenciada orçamento da clínica credenciada Alta (classe e cidade)
Taxa do exame teórico (TFAC) ANAC, via GRU tabela oficial da ANAC / a própria GRU gerada Baixa (nacional, por tentativa)
Taxa de emissão da licença (TFAC) ANAC, via GRU tabela oficial da ANAC / a própria GRU gerada Baixa (nacional)
Material de estudo e simulados mercado você escolhe o quanto investir Você controla
Deslocamento, hospedagem, documentos terceiros sua realidade local Depende da cidade

1. O curso no CIAC: o item que decide seu orçamento

CIAC é o Centro de Instrução de Aviação Civil — a escola homologada pela ANAC para dar o curso de formação de comissário. Antes de perguntar o preço, confirme na lista oficial da ANAC que aquele centro está homologado e com a formação de comissário autorizada. Curso barato em escola não homologada não vale como formação: você perde o dinheiro inteiro.

O preço varia muito porque depende de estrutura física, carga horária prática, cidade e concorrência local. Capitais com muitas escolas costumam ter oferta mais competitiva; cidades com um único CIAC, nem tanto.

Ao pedir orçamento, exija o custo total, não a mensalidade. Peça por escrito e confira se estão inclusos:

  1. Taxa de matrícula (é comum vir separada da mensalidade).
  2. Material didático e apostilas.
  3. Uniforme e itens de apresentação exigidos pela escola.
  4. Aulas práticas, equipamentos de emergência e treinamento de sobrevivência, quando previstos na carga horária.
  5. Provas internas, recuperações e taxa de segunda chamada — pergunte quanto custa refazer uma avaliação.
  6. Se a escola cobra à parte pela inscrição no exame da ANAC (a taxa da agência é sua responsabilidade de qualquer forma).

Duas perguntas que economizam dinheiro de verdade: "qual o valor total se eu pagar à vista?" e "o que acontece com o valor pago se eu trancar ou reprovar em uma disciplina?". A resposta precisa estar no contrato.

2. CMA: a consulta e os exames que quase ninguém orça

O CMA é o Certificado Médico Aeronáutico — o atestado de aptidão física e mental exigido para exercer a função a bordo. Ele é emitido a partir de avaliação feita por médico ou clínica credenciados pela ANAC, e a agência publica essa lista de credenciados. Não adianta levar exame do seu clínico geral.

Pontos que mudam o valor final:

  • A classe do CMA. Os requisitos médicos estão no RBAC 67, a regra da ANAC sobre certificação médica aeronáutica. A classe exigida define quais exames complementares entram na conta — e é isso que faz o preço subir ou descer. Confirme a classe aplicável ao comissário antes de marcar.
  • O que a clínica já faz internamente. Algumas oferecem pacote fechado com todos os exames no mesmo dia; outras cobram só a consulta e você paga exames por fora. O pacote fechado quase sempre sai melhor e evita retorno.
  • A recorrência. O CMA tem prazo de validade que varia conforme classe e idade. Ele não é um gasto único: é um custo que volta periodicamente enquanto você estiver na atividade. Coloque isso no seu planejamento de carreira, não só no orçamento do curso.

Dica prática: cote em pelo menos duas clínicas credenciadas e pergunte explicitamente "esse valor inclui todos os exames complementares da classe X?". A diferença entre orçamentos costuma ser relevante.

3. A taxa do exame teórico da ANAC (TFAC, paga por GRU)

Aqui entra o único valor genuinamente padronizado em todo o país. A taxa que você paga para fazer a prova teórica é a TFAC — Taxa de Fiscalização da Aviação Civil, prevista na legislação que criou a ANAC (Lei nº 11.182/2005), com valores por serviço em tabela oficial. O pagamento é feito por GRU (Guia de Recolhimento da União), o boleto padrão de recolhimento a órgãos federais.

Como conferir o valor exato, hoje, sem depender de blog nenhum:

  1. Acesse o portal da ANAC (gov.br/anac) e procure a área de taxas/TFAC e a tabela oficial vigente.
  2. Faça sua inscrição no exame pelo sistema da ANAC de serviços ao aeronauta (historicamente o SACI, em sistemas.anac.gov.br — confirme o sistema vigente, porque a agência vem migrando serviços para o gov.br).
  3. Gere a GRU. O valor impresso na guia é o valor oficial daquele dia. É a fonte mais confiável que existe, e é datada por definição.

Três detalhes que mexem no bolso:

  • A taxa é por tentativa. Reprovou, precisa pagar nova inscrição para tentar de novo.
  • Pague dentro do prazo. GRU vencida costuma significar inscrição não efetivada, e você refaz o processo.
  • A taxa não é o custo real da prova. O custo real inclui deslocamento até a cidade de aplicação, e é aí que reprovar dói.

4. A taxa de emissão da licença

Passar na prova não emite sua licença sozinho. A emissão do documento de CMS é outro serviço da ANAC, também cobrado por TFAC e recolhido por GRU, com valor na mesma tabela oficial. Os requisitos completos para a licença de comissário estão no RBAC 63 — vale ler a versão atual antes de fechar seu cronograma, porque é lá que você confirma o que precisa apresentar além da prova.

É um valor pequeno perto do curso, mas entra na conta. E vale lembrar: licença emitida não é o fim da linha de custos profissionais. O treinamento específico de tipo de aeronave normalmente acontece já vinculado a uma empresa aérea, com regras próprias de cada companhia.

5. Os custos indiretos que estouram a planilha

Esses são os que ninguém coloca no papel e todo mundo paga:

  • Deslocamento e hospedagem para a cidade onde a prova é aplicada. A ANAC divulga calendário e locais de aplicação; confira antes de orçar. Se você mora longe, esse item pode superar a taxa da prova.
  • Documentação: fotos, cópias, certidões e eventuais segundas vias.
  • Material de estudo e simulados, para chegar na banca com repertório de questões.
  • Inglês, que não é custo de licença, mas é custo de empregabilidade em boa parte das seletivas.
  • Tempo: dias sem trabalhar para assistir aula, fazer exames médicos e viajar para a prova. Se você é horista ou autônomo, isso é dinheiro.

Como montar seu orçamento real em 5 passos

  1. Liste os CIACs homologados perto de você na lista da ANAC e peça a cada um o custo total por escrito, com o que está incluído.
  2. Cote duas clínicas credenciadas e peça o pacote fechado do CMA na classe aplicável.
  3. Gere a GRU da taxa de exame no sistema da ANAC e anote o valor com a data em que você consultou.
  4. Some deslocamento e hospedagem para as datas de prova divulgadas pela agência.
  5. Deixe uma folga. Reserve margem para uma eventual segunda tentativa de prova e para a renovação do CMA. Orçamento sem folga vira desistência no meio do curso.

Anote a data ao lado de cada valor. Daqui a seis meses, essa planilha ainda vai te servir — você só reconfere o que mudou.

Dá para gastar menos sem arriscar a licença?

Dá, em três frentes legítimas. Primeiro, negociando o curso: à vista, turmas em formação e escolas fora do centro costumam ter condições melhores. Segundo, evitando retrabalho: chegar preparado na banca é a economia mais direta que existe, porque cada reprovação custa taxa nova mais viagem nova. Terceiro, organizando o calendário: fazer o CMA perto da conclusão do curso evita pagar renovação antes mesmo de começar a trabalhar.

O que não funciona: escola não homologada, promessa de "aprovação garantida" e atalho para exame médico. Nenhuma dessas três economiza — todas custam o processo inteiro de novo.

Perguntas frequentes

O curso de comissário é obrigatório para fazer a prova da ANAC? A formação em centro homologado é parte do caminho para a licença de CMS. Os requisitos oficiais estão no RBAC 63 e podem ser atualizados, então confirme a redação vigente no portal da ANAC antes de contratar qualquer curso.

Quanto custa a prova da ANAC para comissário? O valor é a TFAC definida em tabela oficial e paga por GRU. Como esse valor pode ser reajustado, o número confiável é o que aparece na guia gerada no momento da sua inscrição. E lembre: cada tentativa é uma inscrição paga.

Por que os preços de curso variam tanto entre escolas? Porque o curso é serviço privado, com preço livre. Estrutura, carga horária prática, cidade e concorrência local explicam a diferença. Compare sempre o custo total e o que está incluído, nunca a mensalidade isolada.

O CMA é gasto único? Não. O certificado tem validade que varia conforme classe e idade, então ele volta a ser pago na renovação. Trate como custo recorrente da profissão, não como taxa de entrada.

Depois de passar na prova, ainda tem custo? Sim, a emissão da licença tem taxa própria. Já o treinamento específico da aeronave normalmente ocorre vinculado a uma empresa aérea, com regras definidas por cada companhia.

O próximo passo

Monte a sua planilha ainda esta semana: três orçamentos de CIAC, dois de clínica credenciada, a GRU gerada no sistema da ANAC e o custo de deslocamento até a cidade de prova. Com esses cinco números datados, você sai do "dizem que custa" para o "na minha cidade, hoje, custa isso" — e passa a decidir com informação, não com boato.

E, já que a etapa mais barata do orçamento é também a que mais gente refaz, comece a estudar antes de matricular. Você pode começar grátis com os simulados de demonstração do Simulados ANAC, sentir o formato das questões da banca e, se quiser o acesso completo ao banco de simulados, assinar depois. Passar de primeira é, literalmente, a maior economia deste artigo.


Artigo escrito em agosto de 2026 com foco em como verificar cada custo na fonte. Valores de curso e de exames médicos são definidos por prestadores privados e mudam por região; taxas da ANAC são reajustadas por ato oficial. Confirme sempre no portal da ANAC (gov.br/anac) e nos orçamentos por escrito dos prestadores antes de fechar seu planejamento.